Já era alta madrugada e os carros eram raros na Rua Augusto Travestine, os quais passavam em intervalos de meia hora. Uma neblina pairava naquela rua, os prédios eram grandes, cada um com uma árvore na frente. As luzes dos apartamentos já estavam apagadas e o silêncio só não era completo devido ao som de uma fábrica ao longe.
Em meio a este cenário frio e distante, que parecia ter sido copiado pelo escritor de algum livro de Dostoievski, é que surge um rapaz a passos rápidos, porém com movimentos desconfiados, como alguém que tem certeza, mas ninguém pode saber. Um sujeito alto com um sobretudo preto, fumando um cigarro de forma ansiosa, ele olha para todos os lados e parece caminhar cada vez mais rápido, as batidas do sapato na calçada atrapalham o silêncio quase completo. Ele para em frente ao prédio 22, que ficava na quadra 4, a quatro quadras do parque Laborion. Vai ao meio da rua e olha as janelas, como se quisesse ver se tinha alguma luz em algum dos apartamentos, corre até a porta de entrada e toca o interfone, volta ao meio da rua correndo e olha a espera que uma luz se acendesse.

