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segunda-feira, 14 de maio de 2012

"Dias daqueles"

              
                  Tem os “dias daqueles” em que o tempo presente se tornou o inferno, no qual você deseja voltar de onde você veio, e se encaixar novamente de forma integral e harmônica ao ventre de sua mãe, mas isso é impossível. Então você se satisfaz nas recordações da infância. Acordar tarde e tomar café na cama, subir na acácia imensa do quintal, ser ladrão e ganhar da sua irmã e de seu primo, ter medo do papai Noel, jogar futebol sozinho, não precisar fazer nada sério, paqueira a menina da carteira da frente, brincar de soldadinho, ajudar sua irmã a montar a casa da Barbie, ver os filhotinhos nascerem, acampar com toda a família, falar de beijo, brincar de verdade e desafio. Hoje sinto não se r tão feliz, não sei se isso quer dizer que a “sociedade me corrompeu”, mas falta a simplicidade e sobraram coisas complexas. Não se tem mais tempo de fazer por prazer, agente agora se afoga nas tarefas que são comidas pelo tempo, e a voz da felicidade vai ficando longe. Então vem essa vontade de fugir, subir eternamente nesta arvore de acácia e talvez chegar até outra terra. Outro mundo sem precisar nunca mais descer, não ter horário, não ter dia, viver assim como criança, ter uma mãe que faça tudo e um pai que compre o básico, ser eternamente filho. Vagabundagem? Não, o problema esta na ideologia, precisamos hoje morrer de trabalhar para sermos considerados respeitáveis e dignos, porque não fazer da produção uma eterna brincadeira, irresponsável e sem compromisso, é claro que após a nossa explosão demográfica isso se tornou impossível e assim estamos condenados a crescer e sentir “naqueles dias” a vontade de voltar ao ventre materno.

F.Z.S.

     

domingo, 23 de outubro de 2011

Um som no passado

A diferença entre o símbolo e uma coisa é que o símbolo é uma coisa que nos traz um tipo de pensamento e um tipo de sentimento. O símbolo tem esta capacidade de nos transportar a lugares do passado, muitas vezes nos envolve em uma nostalgia e nos faz derramar umas lagrimas. Este piano da foto eu encontrei em na casa da minha vó em um destes lugares literalmente memoráveis, que estão presente em toda casa, e que guardam aquilo que dispensamos, que já não nos atraem mais, como o som deste piano o qual o futuro silenciou. Pois as coisas ficam, as coisas ficam, e agente passa. E ao encontra-las elas não são mais coisas, são símbolos, pois as coisas, são aquelas com as quais brincamos, enquanto os símbolos são as coisas que brincam com agente.  

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Reges Não quer Guerra


Reges Não quer Guerra
Eram quase seis da tarde e o sol brilhava seus últimos raios no horizonte, que invadiam a Avenida Sete de Setembro e banhavam o asfalto, dando uma tonalidade amarelo manga ao cenário. Havia ali algo de “Ultimo suspiro”, ultima chance. Era sexta feira 30 de outubro e no andar das pessoas havia algo de ânsia própria de uma força que se acabava, mas que fazia dos passos algo eufórico, como quem corre em direção da morte, ao descanso. Era final de semana, fim de mês, fim de ano e inconscientemente a vontade de que fosse o fim de tudo, mal sabendo a inconsciência que depois de alguns dias seria começo e que não seria possível fugir a tragédia de existir.
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