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terça-feira, 11 de setembro de 2012

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A vida, que ridícula é a vida. E alguns, por isso perceber, passam a bailar com ela e saem desse jogo maldito, que condena sábios e mendigos, que nos faz passar por ela à discutir segundos, a jogar na cara semanas e paixões não resolvidas. Não te percebes, homem! Que não estas aqui para ganhar. Besta parida! De uma caverna maldita. Animal! Despertai, antes que entregues tuas ultimas fichas. Neste jogo, no qual tua mão já começa perdida. Quer comprar a vida, fazer dela sua escrava-amiga, esqueça besta maldita! A vida já começa com a mão batida. 

Jogue as cartas na mesa, afaste as cadeiras, segure bem forte a cintura da vida, e dance um tango ou um mambo. Olhe nos olhos desta dama no seu sorriso de criança e sussurre em seus ouvidos “Te amo”. Então estarás desperto e será um com a vida.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Morte

 
Quando o braço é a terra
Mãe ingrata que dá a luz e nunca abraça 
Que aguarda, ri e come cada filho 
Mãe que envolve e guarda que destrói e mistura 
Que recebe lagrimas 
Das quais nasce espada, nasce fogo 
Nasce a mata
e mata 
Mãe ingrata
Não só gera, mas sustenta 
Dá esperança 
Que guerra é essa?
que se sustenta entre cada pé e cada pedaço de terra
A vida, quase uma maldição!
Tendo cor azul parece negra 
Feito o céu que mostra estrelas
É essa vida, negra, maldita 
Dos filhos ingratos 
Poetas e profanos 
Mal gerados, mal nascidos
O mal sustentado pela terra 
que provoca guerra 
E desperta cada fera 
Fera, fera, fera
Que não querem se entregar ao ultimo abraço 
derradeiro e envolvente abraço 
materno
mãe, mãe terra
há que te amar, antes que seja terra
  

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Filhos Malditos



Saímos todos do ventre de uma natureza que jaz morta. Des de então tentamos ser reto. E sei que no nosso intentar, Deus como Ser astuto que é, a de tocar, num dedo que seja, dessa genética adâmica. Eu, seu filho maldito hoje persisto em tentar me encontrar. Sabendo, talvez, que não a um Eu a se achar. É duro ser filho de um Deus louco e órfão de mãe. E é na amargura que agente testa a tortura. E aprende que nada que sai da boca vale a pena ser dito. Porque as verdadeiras coisas simplesmente penetram. Nunca são ditas, apenas comidas. Banquete de um Deus louco. Que em pratos benditos, nos brinda natureza morta. No cálice de vinho, tem sangue. Historias mórbidas. E quando menos se espera tudo se acaba, sem respostas, sem nada. E ai se percebe que junto à razão, a qual Deus renegou, nos foi dada a grande dadiva de sofrer mais que o necessário.  

FZS

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Vida pensada

 
 
         Morre a coisa, se desfaz por entre as rugas do tempo, volta ao pó, tornasse vida, coisa maldita. Coisas que já não dizemos, mas que nos resta tempo e o que nos atrapalha é o pensamento. Morre coisa pensada, que antes de sair já previu tantas mágoas. Mas não me culpes, nem me julgues "seu diabo" ou qualquer inferno astral. Quero que morras e que não tenhas banquetes, desejo a ti, inanição mental! Morre de morte futurista, pois meu tempo quando embalou no teu ventre foi para gestar ressentimentos.      

Filipe Zander Silva      2010

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pinheirinhos e Pau de arara

14 horas atras, no Pinheirinhos 

Há um gosto de carbono
Esta amargo este vento
Tem algo de escuro neste asfalto
Tem mentiras espalhadas
São jornais e outdoors
Há um tiro neste céu
E não é passarinho que se mata
São tantas mães que já não tem filhos
E é tanto orgulho que a cabine tem que ser estendida
E o poema tem que ter mais de 12 linhas
E o calibre tem que ser 36
E é um mundo tão deserto que tudo fica longe
Mas parece estar tão perto
Disparando 10.000 Kb por segundo  

Filipe Zander Silva

sábado, 21 de janeiro de 2012

Parabrisa


Óculos cerebral
Constante visão
Abstrata, pessoal
Constante cegueira
Iluminação passageira
Tiro no escuro
Luta contra o mal
Luz emprestada
Visão passageira
A força da vida  
Amor para a vida inteira
É catapulta sensual   

Filipe Zander Silva

domingo, 13 de novembro de 2011

Rua sem saída

 
Por favor
Vocês que se escondem por traz disso que vejo
Que eu sinto
Que eu penso
Por favor me ajudem
Me abracem e me esquentem
Com este amor e com esta força
Porque eu não posso parar agora
Eu não posso
Eu não devo
Vocês que sabem do que eu não sei
Vocês que fazem o que eu não faço
Me ajudem
Enquanto eu posso
Uma ultima oração em forma de poesia
É a ultima saída
Da rua dos poetas
Rua sem saída
Sair voando
Muros e telhados
Gatos e varais
Faço esta ultima oração
Em forma de poesia
Para abrir as azas da imaginação
E sair voando da rua dos poetas
Rua das tristezas
Rua sem saída

“Todos estão na sarjetas, mas os poetas olham as estrelas”

Autoria: Filipe Zander

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mundo Vizinho

O moço da Lan House
A moça da padaria
Seu carvalho cabelereiro
Cada dia mais um dia
A cada passo entramos mais
Neste mundo de vizinhos
A cada pão ou boa tarde
É a amizade que caminha
Amizade que não se sabe qual o preço de uma hora
Assim é a vida, assim é a rotina
Que faz morrer a cada dia cabelos no salão
E como salgados na padaria
Assim vamos ficando
Se estragando todo dia
Por descaso da freguesia

Filipe Zander Silva
São Luis (MA)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Fui-me embora de Pasárgada

Não sei qual a autoria desta imagem
 Fui me embora de Pasárgada
Pois não gostava do rei
Nem de suas leis
Fui me embora dos colchões macios
Pois nunca me ensinaram a dureza da vida
Fui me embora de Pasárgada para nunca mais voltar

terça-feira, 4 de outubro de 2011

De volta ao barro.



Te pego, te amaço, tu serás a experiência de uma nova técnica.
Fasso a base tendo em vista que é o fundamento da obra, devo pensar na resistência.
                Começo, vou te elevando, penso em fecha-la, penso na resistência.
Lembro que me disseram para fazer peças grandes
te elevo e vai surgindo as primeiras curvas e deformações.
                Penso no meu amigo Tiê e de como ele me convidou para a primeira aula de cerâmica.
                Resolvo radicalizar e em uma curva quase cai
                Porem a partir dali consigo ver o futuro.
                E ele é arriscado.
                Momentos de desafio, 100% concentração.
                Enfrento a própria gravidade.
                Cálculos, como em uma dança, lembram-me de como pisei em seus pés.
                Com medo de cair, com medo de pisar no pé.
                Mas, maior ainda, o medo de dançar sem graça.
                Momentos de desespero, turbulência, lembram-me da minha viagem de avião.
                Agora é a calmaria
                A volta, o momento de admirar a obra.
                O momento em que a obra mostra-me que alguém dançava em minha mente. 

Filipe Zander Silva           26/09/2011 
 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Eternidade



Existe uma praça com muitas arvores
São arvores de jambo
Que quando estão preparados se lançam ao chão
Quantos anos elas estarão aqui?
Ao lado da praça a uma senhora, que já com seus bons anos de vida, toma seus remédios
A vida já passou para ela
Ela já esta perto de se lançar
Porque a vida, apesar de suas metamorfoses, tem princípios e também fins
Leis que não mudam independente da forma
E aqui perto os frutos continuam a cair
Em seu processo de morte
Se desligam desta arvore que é a vida

E eu como vida que ainda floresce
Com a força que se plantou em meu peito
Como filho, fruto do oculto dos ocultos
Daquele que ninguém sabe nem viu, pois esta antes do entendimento e da vista
Continuo a errar, andando por caminhos tortos e sempre a escrever o que não se tem amigo para escutar
E que por mais estranho, terrível porem poético, um dia estará vivo e eu estarei morto
Alguém talvez vai ler e se impressionar
Porem será tarde, o poeta estará morto
Pois o poeta sempre morre com o ponto final da poesia
Mas a poesia continua a se lançar no seu eterno processo de morte
Doce como um jambo maduro
E eu, como apenas aquele que balançou a arvore da vida
Peço que alguém lhe pegue, que alguém lhe coma, lhe saboreie
Para que assim a morte continue seu eterno conúbio com a vida.

Autoria: Filipe Zander Silva 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Os Filhos (Do Livro "O Profeta")

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:
           
Vossos filhos não são vossos filhos.           
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.           
Vêm através de vós, mas não de vós.           
E embora vivam convosco, não vos pertencem.           
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,           
Porque eles têm seus próprios pensamentos.           
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;           
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,           
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.           
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,           
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.           
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.           
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força          
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.           
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:           
Pois assim como ele ama a flecha que voa,           
Ama também o arco que permanece estável.
Autoria: Kalil Gibran

Deus e a Poesia



Um olhar perdido, porem atento, a incompreensão
Um choro de revolta
Uma criança em um ônibus
Um pássaro em uma jaula
Dois versos em um mesmo poema
 Duas tristezas descritas por Deus
Duas linhas em um papel torto
Se entortando ao ditame do papel
Letras e palavras que se debatem em um papel pequeno

E o tempo morre e as letras se apagam
E agente esquece que nada se esquece
E a poesia acaba e o poeta acaba
E voa o pássaro e para o ônibus
E Deus encontra outro poeta para ditar suas tristezas.

Autoria: Filipe Zander Silva
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